João

August 16th, 2010

Antes do conto prometido, agradecimentos à Juliana por correções ortográficas na publicação anterior.

João

João era um bom homem. Não tinha ensino. Isso, no entanto, não o impediu de nunca ter cometido um delito grave. Os pequenos, todos cometemos.

Aos dezesseis conheceu o doce da vida, por vinte reais. Acreditou terem sido bem investidos. O capital veio de sua prestação de serviço. Quebra-galhos, no dito popular, para João virava assistente geral de afazeres comuns. Não que soubesse o real significado das palavras, mas alguém disse coisa parecida e achou bonita.

Perdeu a perna, certo dia, numa briga de gangues torcidas de futebol. Foi o melhor que o açougueiro do bairro conseguiu fazer, após João ter recebido um leve corte na coxa, para evitar uma hemorragia.

O mulato não podia mais trabalhar com afinco, ganhando menos. Em contrapartida, gastava mais. Zé, o dono do bar, agradecia.

João resolveu, então, apelar para suas superstições. Foi consultar Cassandraylde de Zuráyde: vidente, mãe de santo, taróloga, escritora do livro “décima edição de compreendendo, usando, lucrando e vivendo melhor com o segredo” e fundadora da pseudociência religiosa “Crentes de Turing”. A receita foi simples: banho de pipoca com manteiga, vinte e cinco pai nossos e um depósito de cinco mil reais na conta da mística. O dinheiro foi questionado, mas logo a explicação foi dada. A água de esgoto em frasco vinha da Índia e era santa. João precisaria tomar da água para curar seus males.

O destino é mesmo estranho. Uma mutação causada pela água fez João regenerar sua perna. De volta à ativa, vê que os problemas um dia tidos foram causados pela luxúria! Não havia amor ou carinho em serviços pagos.

Mas João era feio – e muito. A sociedade, cruel, só vê beleza interior em discursos falso-moralistas e em palestras motivacionais (para empresas e afins).

Procurou seu amigo, Djou (dijôu), especialista em potrancas. Recomendou, sabiamente, o vídeo-curso da internet entitulado “Técnicas de auto-beneficio para atividades de cópula com fêmeas pós-maduras”.

Aprendeu, logo, a receita de sucesso. A dedução matemática ficou de lado, mas a fórmula era simples de ser aplicada.

birita + forró = çéquiço com tiazinha

Dias de aventura se passaram, até João se apaixonar por Vanailde. Ela, mulher justa por natureza, se apaixonava por todos. João adquiriu AIDS, num dia de balaids.

Triste, resolveu voltar à Zuráyde. Já sem dinheiro para comprar solução, João ficou com a regressão. Mesmo que não pudesse se curar, saber o motivo da desgraça já o faria se conformar e, isso, seu fundo poderia pagar.

João se viu de bigode. Um bigode muito estranho e peculiar. Pensou ser Hitler e aceitou de bom grado seu triste karma. Na verdade, fora Nietzsche.

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3 Comments

  1. RN

    Não entendi.
    Mas ficou engraçado.

  2. Meg

    não captei.

  3. Jessica/Velma

    Confuso o.O
    Mas… sei lá xP Não entendi o